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Mensagens

Da modernização da indústria açoriana de laticínios, e de um seu "capitão da indústria"

O texto seguinte constitui a maior parte dos "Apontamentos sobre Eduardo Soares de
Albergaria pelo seu filho Jacinto da Câmara Soares de Albergaria, presentemente com 80 anos", manuscrito do arquivo familiar dos descendentes do Eng. Jacinto Soares de Albergaria.
Foram aqui selecionados os "apontamentos" que se referem à modernização da indústria de laticínios em S. Miguel; bem como às faculdades e comportamentos de Eduardo Soares de Albergaria significativos para questões como a de como efetivamente se faz a tecnologia e respetivo investimento (em meios distantes dos grandes centros políticos, económicos...); a da determinação da tecnologia sobre a sociedade, ou a inversa, ou de alguma forma ambas; as caraterísticas pessoais dos empreendedores; até a especificidade do conhecimento tecnológico que se não reduz a aplicação do conhecimento científico...
Não foram incluídos "apontamentos" de cariz mais pessoal, ou relativos à intimidade familiar.
As passagen…
Mensagens recentes

A velha lição da nova lei do financiamento dos partidos

Desde as carteiras da cabulice no ensino básico, de truque nenhum se esqueceu a grande maioria dos nossos deputados à Assembleia da República. A espera pelo virar de costas do professor, para então rapidamente avançarem revisões à lei do financiamento dos partidos; o uso de siglas anónimas nos bilhetinhos, como as letras A, B e C em vez da identificação partidária nas propostas de lei; o extravio de quaisquer atas ou relatórios que esclarecessem a autoria das ideias mais luminosas… Seria até enternecedora tanta juvenilidade, não fossem neste caso truques de carteirista. Pelo que a nossa costela securitária nos leva a ponderar: com gente desta, se calhar o melhor seria fechar de vez o estaminé (leia-se: a A.R.). Ao que a costela racional tem porém de objetar: será melhor, se o valor da democracia liberal – aquela em que cada cidadão detém um voto para participar nas decisões coletivas – depender da seleção dos mais competentes e honestos; ou se, principalmente, houver alternativa menos m…

Da arte dramática

Os termos gregos theastai – de onde deriva “teatro” – e drama significam, respetivamente, “ver” ou “olhar-para”, e “ação”. Daí as afirmações comuns de que o texto dramático é escrito para ser visto (quando muito ouvido na rádio, etc.), e que apresenta imitações da ação humana. Mas será evitando precipitarmo-nos no uso de “visão” que melhor acederemos ao sentido mais curial dessa imitação da ação. Com a dramaturgia a poder então revelar-se como uma grande arte, que se demarcará da pequena arte (entre outras coisas, creio que foi com alguma urticária que esta distinção tem provocado desde o século passado que o nosso frei João Martins antecipadamente se preocupou*). O campo de aplicação das palavras da família de “visão”, “ver”, etc., não se esgota em processos como o da impressão que a luz refletida nesta superfície clara com arabescos escuros (esta página e letras) provoca na retina da respetiva leitora, até ser trabalhada na zona psicovisual do seu cérebro. Pois, além dessas “perceçõe…

Eurogrupo, liberalismo, imperfeição

Dizer que a eleição do ministro das finanças português para a presidência do Eurogrupo trará vantagens significativas a Portugal constitui mais uma daquelas anedotas: “Vai um alemão, um francês e um português num avião, um dos motores começa a arder…”, e safa-se o espertalhão lusitano por convencer os outros a desgraçarem-se por cumprirem as regras, enquanto ele toma estas últimas apenas como papas e bolos para enganar tolos. Só quem acredita nessas anedotas é que não concebe que, se cargos como aqueles pesassem a favor dos países natais dos respetivos detentores, dois em cada três deles seriam alemães, e o terceiro francês. Tendo assim a apostar que o Doutor Mário Centeno foi esta semana adotado como porta-voz dos interesses económicos da França, que enjeitou o socialismo nas últimas legislativas, e da Alemanha, que mantém como chanceler a Sra. Merkel em cuja fotografia muitos apoiantes do governo de que ele continua ministro ainda há pouco pintavam bigodinhos à Hitler. O que estabelece…

O porquinho mais velho, com urgência!

1.Uma nota particular: Em época de discussão dos orçamentos regional e do Estado, é agora que mais se impõe responder à ameaça deixada pela rota do Ophelia. Ao facto de 6 dos 10 verões portugueses mais quentes desde 1931 serem deste século (IPMA). Em cuja segunda metade o aquecimento global médio poderá colocar o pesqueiro de Ponta Delgada onde agora é a avenida marginal (Climate Central)… No próximo mês faz dois anos que, na minha série de crónicas sobre ciência, tecnologia e sociedade que o Correio dos Açores tem facultado aos três leitores delas, publiquei “Os dois porquinhos mais novos e a COP21”. Como não corro o risco de alguém se lembrar dessa crónica (até o Ophelia subitamente rumar a norte creio que também nunca mais me tinha lembrado dela), regresso aqui ao porquinho mais velho da fábula e a uma sua leitura dos sucessivos relatórios do IPCC, e do artigo do Financial Times (30/11/2015) de introdução à Conferência do Clima de Paris. Esse jornal inglês, que não costuma ser propri…

A ilusão tecnocrática – na pista de Mota Amaral

“Ao contrário do que parecem pensar os seus corifeus, a tecnocracia nunca é asséptica”. A afirmação é de João Bosco Mota Amaral, na crónica “Ideologia e realidade” publicada neste jornal a 5 do mês passado. Um texto que, a bem tanto da cultura política quanto da cultura tecnológica nestas ilhas, não deve passar despercebido. As linhas que se seguem tentam ser um pequeno contributo para isto. “Tecnocracia” e alienação… ou má-fé política Literalmente, “tecnocracia” significa a entrega da autoridade ou do poder político não a agentes ideologicamente condicionados, mas sim a técnicos das questões em causa. Os quais se distinguiriam dos “políticos”, de um lado, por conhecerem a melhor forma disponível de as resolver, do outro lado, por serem ideologicamente neutros. Uma denúncia minimalista dessa pretensão será revelar que as questões políticas não se reduzem a questões técnicas, mas não discutindo se, nestas outras, se verifica alguma forma resolutiva indiscutivelmente melhor do que quaisq…

3 notas facebookianas sobre a Catalunha… e os Açores

Uma nota – “Duas ‘democracias’ decorreram das Revoluções dos séc. XVII e XVIII: a ‘ditadura da maioria’ decorreu da Rev. Francesa. Das Rev. Gloriosa (Inglaterra, séc. XVII) e Rev. Americana (independência e Constituição dos EUA) decorreu a decisão da maioria, mas no limite do respeito pelas minorias – inclusive a vontade da minoria não/pertencer ao conjunto (exceção da Secessão dos Estados do sul!). Esta 2ª ‘democracia’ é a liberal. Que permite minorias jacobinas. Já a ‘democracia’ jacobina tem destinado às minorias a guilhotina e a Sibéria. Numa ‘democracia’ em que a maioria, que em parte vive à custa de uma minoria, impõe a esta última a pertença à primeira – como eventualmente agora entre Madrid e a Catalunha – restam aos liberais revoluções como as dos ingleses e americanos”. Na ligeireza própria do Facebook, onde há três semanas publiquei o anterior textozinho, não sublinhei o “eventualmente”. Na menor ligeireza que atribuímos à leitura de jornais, já essa palavra deverá pesar outro …