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Mensagens

Para manter as liberdades do turismo

A primeira diferença que as low cost fizeram foi a de aumentar a liberdade de muita gente. Pois aumentou o leque de escolhas de ações que temos o poder de levar por diante. Assim, do lado de cá, já não é apenas a classe média alta que pode ir passar uma semana a Londres (depois de se juntar dinheiro para o alojamento), ou dar um pulo ao Dragão para ver um jogo do FCP. Do lado de lá, para uma família lisboeta que planeie a viagem com antecedência, vir passar uns dias a S. Miguel já não custa o triplo de os ir passar à capital inglesa. O que permite, de novo do lado de cá, a muitos jovens a escolha de não emigrarem para Inglaterra. E a bastantes dos respetivos pais a escolha de voltarem a trabalhar, depois da suspensão das grandes obras públicas e habitacionais, e do encerramento de tantas representações comerciais. Aqueles de nós que assumimos a liberdade como primeiro valor político sempre discordámos assim da sucessão de governos regionais e da república, ora do PS ora do PSD, que durant…
Mensagens recentes

Novas conferências do Casino (set 2013)

No último 27 de Maio passaram-se 142 anos sobre a primeira conferência no Casino Lisbonense, na qual Antero de Quental – entre a quinta e a sexta bancarrota portuguesa após o oiro do Brasil – se propôs identificar umas Causas da Decadência dos Povos Peninsulares nos Últimos Três Séculos. 141 Anos depois, em correlação a esse célebre texto – e só não em plena sétima bancarrota porque os nossos parceiros internacionais aceitaram tutelar-nos (como em 1977 e em 1983) – publiquei o ensaio Condições do Atraso do Povo Português nos Últimos Dois Séculos. Cujas pistas procurei explorar na presente coluna de opinião. Visto que a maior parte delas já foram aqui ao menos assinaladas, me parece estar em boa altura de agradecer ao Açoriano Oriental ter-me aberto a sua página de “Opinião” desde Dezembro de 2012, e de dar por terminada a minha participação nela. Não quero porém terminar sem apontar três ideias que pouco ou nada terei abordado, e que assim não terei oportunidade de desenvolver. Como …

Onde intervir, e com que referências? (ag 2013)

“Só com o aparecimento de um novo paradigma social, sólido e que dê confiança, é que começa a desenvolver-se um optimismo realista que leva as pessoas novamente a tornarem-se produtivas e a investirem, em suma, a dinamizarem novamente a economia interna.” Mas, “para levar as pessoas a agirem nestas situações [crises económicas], é necessário um sentimento de pessimismo generalizado, que leva as pessoas a compreenderem que é necessário fazer alguma coisa.” Enfim, “os mecanismos de mobilização são os mesmos que sempre existiram. Por um lado, que os movimentos sociais não sejam vistos como tendo algum interesse particular, ou interesse de ‘classe’. Por outro lado, que girem em torno de uma visão comum do que pretendem para o futuro. (…) É a visão de futuro partilhada em torno de uma causa comum que move as pessoas.” Segundo Miguel Pereira Lopes – na entrevista “Portugueses entre a revolução e o reformismo?” ao portal Verdade, Ética e Responsabilidade (30/10/2012) – para ultrapassarmos tã…

E depois das play-stations, das férias nas Caraíbas?… (julh 2013)

Quando é que acabam, e que âmbito alcançam, as crises (que começam por ser) económicas? Em 1873 deu-se o crash da bolsa de Viena. A crise financeira resultante foi rapidamente saneada, mas dela restou uma “recessão” (redução moderada da produção) económica mundial até 1896. As duríssimas condições de vida e de trabalho dos mineiros nesse período, mas também a disposição para lutar e trabalhar por melhores dias, foram ilustradas por Émile Zola em Germinal (1885). E o séc. XX começou com o reconhecimento dos direitos dos trabalhadores, das mulheres, do lazer, a ascensão das classes médias… Embora entre tensões culturais e políticas mal enquadradas, que provavelmente alimentaram alguns dos incêndios das décadas seguintes. Em 1929 foi a vez da bolsa de Nova Iorque, de cujo crash resultou uma “depressão” (queda substancial da produção) económica mundial, provocando a miséria e o desenraizamento ilustrados por John Steinbeck em As Vinhas da Ira (1939). A geração apresentada neste romance havi…

Duas pernas pode ser mau, quatro pernas é pior (junh 2013)

O Triunfo dos Porcos, na Manor Farm, deveu-se a esses animais terem convencido os restantes a adoptarem a regra de que “Duas pernas é mau, quatro pernas é bom”. Pois assim estes outros abdicaram do que distingue os homens, nomeadamente o juízo crítico, enquanto os porcos, fazendo eles planos racionais (!), se assenhorearam da quinta. O resto veio por arrasto. No fim do célebre livro de George Orwell sabemos que o modelo se propagou a outras quintas. Uma delas, tenho a certeza, terá forma rectangular, com umas ilhotas em frente, e fica a sul da inglesa Manor Farm. Bem, “certeza” não posso ter… mas de outro modo não consigo perceber uma série de acontecimentos. Por exemplo: Durante umas décadas, tanto no seio do processo autoritário de tomada de decisões quanto no do democrático, foi aí praticamente unânime, e pacífica, a decisão de se construir um novo aeroporto a noroeste da capital. Por definição, um aeroporto é uma estrutura para aterragem e descolagem de aviões, normalmente dotada de…

Duas implicações dos 25 Anos de Portugal Europeu (junh 2013)

Analisemos o recente estudo com o título acima referido, coordenado por Augusto Mateus e editado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (disponível em PDF). A avaliação global deste nosso quarto de século encontra-se no gráfico 29.1: contra a tradição, a partir de 1993 mais pessoas preferiram vir viver para Portugal do que as que preferiram sair, num saldo migratório positivo crescente até 2002; nesse ano a tendência inverteu-se, em 2010 a imigração já pouco ultrapassou a emigração… e as estimativas na página inicial da Pordata (também da FFMS) para estes dias em que escrevi esta crónica têm sido sempre negativas. Depois de 81 mil milhões de euros em fundos estruturais executados entre 1989 e 2011 (a preços deste último ano, op.cit. p. 24), é forte!             Importa reconhecer que aquela primeira avaliação positiva se justifica. Nomeadamente, por tudo o que é implicado pelo aumento da esperança média de vida (gráficos 44.4 e 44.5). O problema é que esta melhoria das condições de v…

Mateus 12, 48-50 (mai 2013)

Nas últimas duas crónicas reconheci sinais de que bastantes portugueses preferirão pactuar com a corrupção – e outros desvios morais – do que fragilizar quaisquer laços dos respectivos grupos sociais primários (ex. família), ou arriscar a imagem pública destes últimos. Uma ultrapassagem dessa posição jogar-se-á em duas dimensões éticas. Devendo ocorrer em três planos persuasivos as intervenções a seu favor. Numa destas dimensões éticas, essas pessoas parecem considerar moralmente apenas os seus vínculos aos respectivos grupos sociais primários, quando porém todo o país interfere nas suas vidas. Daqui a questão: como se poderá intervir para alargar os limites daqueles grupos ao país que, de facto, é relevante a cada um de nós? Na outra dimensão, esses desvios morais são facultados por uma hierarquia de valores que privilegia a solidez do grupo social primário. Questão: como se poderá induzir uma reclassificação dos valores na cultura portuguesa, subordinando essa segurança à honra e à ho…