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Mensagens

O porquinho mais velho, com urgência!

1.Uma nota particular: Em época de discussão dos orçamentos regional e do Estado, é agora que mais se impõe responder à ameaça deixada pela rota do Ophelia. Ao facto de 6 dos 10 verões portugueses mais quentes desde 1931 serem deste século (IPMA). Em cuja segunda metade o aquecimento global médio poderá colocar o pesqueiro de Ponta Delgada onde agora é a avenida marginal (Climate Central)… No próximo mês faz dois anos que, na minha série de crónicas sobre ciência, tecnologia e sociedade que o Correio dos Açores tem facultado aos três leitores delas, publiquei “Os dois porquinhos mais novos e a COP21”. Como não corro o risco de alguém se lembrar dessa crónica (até o Ophelia subitamente rumar a norte creio que também nunca mais me tinha lembrado dela), regresso aqui ao porquinho mais velho da fábula e a uma sua leitura dos sucessivos relatórios do IPCC, e do artigo do Financial Times (30/11/2015) de introdução à Conferência do Clima de Paris. Esse jornal inglês, que não costuma ser propri…
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A ilusão tecnocrática – na pista de Mota Amaral

“Ao contrário do que parecem pensar os seus corifeus, a tecnocracia nunca é asséptica”. A afirmação é de João Bosco Mota Amaral, na crónica “Ideologia e realidade” publicada neste jornal a 5 do mês passado. Um texto que, a bem tanto da cultura política quanto da cultura tecnológica nestas ilhas, não deve passar despercebido. As linhas que se seguem tentam ser um pequeno contributo para isto. “Tecnocracia” e alienação… ou má-fé política Literalmente, “tecnocracia” significa a entrega da autoridade ou do poder político não a agentes ideologicamente condicionados, mas sim a técnicos das questões em causa. Os quais se distinguiriam dos “políticos”, de um lado, por conhecerem a melhor forma disponível de as resolver, do outro lado, por serem ideologicamente neutros. Uma denúncia minimalista dessa pretensão será revelar que as questões políticas não se reduzem a questões técnicas, mas não discutindo se, nestas outras, se verifica alguma forma resolutiva indiscutivelmente melhor do que quaisq…

3 notas facebookianas sobre a Catalunha… e os Açores

Uma nota – “Duas ‘democracias’ decorreram das Revoluções dos séc. XVII e XVIII: a ‘ditadura da maioria’ decorreu da Rev. Francesa. Das Rev. Gloriosa (Inglaterra, séc. XVII) e Rev. Americana (independência e Constituição dos EUA) decorreu a decisão da maioria, mas no limite do respeito pelas minorias – inclusive a vontade da minoria não/pertencer ao conjunto (exceção da Secessão dos Estados do sul!). Esta 2ª ‘democracia’ é a liberal. Que permite minorias jacobinas. Já a ‘democracia’ jacobina tem destinado às minorias a guilhotina e a Sibéria. Numa ‘democracia’ em que a maioria, que em parte vive à custa de uma minoria, impõe a esta última a pertença à primeira – como eventualmente agora entre Madrid e a Catalunha – restam aos liberais revoluções como as dos ingleses e americanos”. Na ligeireza própria do Facebook, onde há três semanas publiquei o anterior textozinho, não sublinhei o “eventualmente”. Na menor ligeireza que atribuímos à leitura de jornais, já essa palavra deverá pesar outro …

Um louvor do comunitarismo

À porta de eleições autárquicas, é oportuno realçar o relevo que na tradição liberal se tem atribuído ao poder local, e questionarmo-nos pelo seu sentido – eventualmente bem exemplificado no concelho de Ponta Delgada por propostas de alguns atuais candidatos… tanto pela positiva quanto pela negativa. O relevo desse nível político numa sociedade liberal foi reconhecido logo por Alexis de Tocqueville, na sua célebre viagem pelos Estados Unidos da América em 1831/2. Esse país era então composto pela união de 24 nações soberanas, estando cada um destes Estados dividido em condados – administrativos e judiciais – e, primeiramente, em comunas (townships). As quais eram formadas pelos habitantes de cada localidade, em vista à resolução das respetivas questões coletivas. No caso da Nova Inglaterra, nesse primeiro nível político não se aplicava a lei da representatividade, a democracia era exercida direta ou participativamente pelos cidadãos. Entre os quais alguns eram aleatoriamente designados p…

A lição de Lúcio de Miranda

O Correio dos Açores, na sua edição de 8 de outubro de 1932, publicou ao centro da sua primeira página a lição de abertura desse ano escolar no então Liceu Central de Antero de Quental (atual ESAQ), proferida pelo Dr. Lúcio de Miranda[1]. Remetendo para as margens notícias sobre “O último terramoto na ilha de S. Miguel”, ou “O problema do livre comércio de carnes”. Na abertura de mais um ano escolar, 85 anos depois, não acredito que nos jornais de hoje haja alguma notícia ou intervenção mais atual do que esta revisitação daquela oração de sapiência. “O encanto das matemáticas” Sob este título, o orador posicionou-se logo na introdução: “Desde a mais remota antiguidade, todos os povos que conheceram a civilização cultivaram as matemáticas. (…) ‘que servem tanto para facilitar as indústrias como para contentar os curiosos’ (…). O meu tema não é a utilidade das matemáticas – é a beleza.” Uma opção não apenas pessoal, mas porque “elas dominam pelo encanto todos aqueles que sabem perscruta…

Os açorianos e a "segunda era da máquina" (II)

Na semana passada recebi uma série de notícias do atentado em Barcelona, enquanto não fazia ideia do que pudesse estar a acontecer ao meu vizinho. É mais um exemplo da nossa participação na “sociedade global” definida por Niklas Luhmann. Participação esta que nos sujeita a uma revolução que se poderá tornar maior do que qualquer outra já experimentada pela humanidade. A cumprir-se provavelmente no tempo de vida das gerações nascidas nas décadas de 80 ou de 90 do século passado, se não já durante a reforma das gerações de 60 ou de 70. Inteligência artificial – do desemprego… ao alerta de Hawking Designadamente, a passagem de uma sociedade conforme à produção mediante a operação de ferramentas e máquinas e até a programação destas últimas, para outra sociedade conforme a máquinas capazes de aprendizagem e de autoprogramação – v. “A ‘segunda era da máquina’ e os açorianos (I)”, que o leitor tem à distância de alguns toques no seu smartphone (e onde com um só toque pode abrir a obra em que B…

Para manter as liberdades do turismo

A primeira diferença que as low cost fizeram foi a de aumentar a liberdade de muita gente. Pois aumentou o leque de escolhas de ações que temos o poder de levar por diante. Assim, do lado de cá, já não é apenas a classe média alta que pode ir passar uma semana a Londres (depois de se juntar dinheiro para o alojamento), ou dar um pulo ao Dragão para ver um jogo do FCP. Do lado de lá, para uma família lisboeta que planeie a viagem com antecedência, vir passar uns dias a S. Miguel já não custa o triplo de os ir passar à capital inglesa. O que permite, de novo do lado de cá, a muitos jovens a escolha de não emigrarem para Inglaterra. E a bastantes dos respetivos pais a escolha de voltarem a trabalhar, depois da suspensão das grandes obras públicas e habitacionais, e do encerramento de tantas representações comerciais. Aqueles de nós que assumimos a liberdade como primeiro valor político sempre discordámos assim da sucessão de governos regionais e da república, ora do PS ora do PSD, que durant…