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Mensagens

A mostrar mensagens de 2014

Cultura prescritiva vs. cultura descritiva

"...caso dos pós-modernos, que relativizam todas as práticas, ideias… às comunidades que as implementam, pelo que, sobre tais culturas, restará apenas descrever como se apresentam e desenvolvem."
"Tudo isso está tão bem quanto os entretenimentos do xadrez, do futebol, etc., mas apenas enquanto as ideias que assumimos, as práticas que desenvolvemos, vão facultando um mundo subsistente. Quando este último racha impõe-se implementar antes uma cultura prescritiva (...) Esta outra aceção de cultura não enjeita a avaliação dos produtos das realizações culturais, nem a proposta compreensiva, tão justificada quanto possível, dos «sistemas» que assim melhor pareçam facultar um mundo subsistente."

"Manifesto pela cultura prescritiva"

Habilidades de feira vs. bancos de escola

Com a aproximação do natal vem-me à memória uma série de argumentações, com base nas ciências naturais, que recorrentemente concluem com a inexistência de um Criador. Simetricamente à literatura de cordel que, eventualmente invocando a mesma base, anuncia antes uma fórmula de Deus. Na verdade, seria esplêndido se entre tubos de ensaio ou demonstrações de teoremas se resolvesse esta questão – para um lado ou para o outro. Infelizmente, porém, os grãos podem começar a entrar na engrenagem dessa resolução logo na dispensa dos primeiros bancos da antiga escolástica.              Onde os futuros teólogos, juristas ou médicos, além de gramática e retórica, estudavam lógica, ficando alertados contra falácias como a do “homem de palha” – por referência ao alvo de golpes e investidas nos treinos dos cavaleiros: 1º) assume-se um determinado inimigo; 2º) desvia-se a investida para um seu simulacro; 3º) derruba-se este último; 4º) anuncia-se a vitória sobre, não uma mera figura de palha, mas o gue…

Da inflexão de Lisboa aos pressupostos de William Penn

(Cientificamente, nenhum critério de escolha de teorias, conceções... é mais importante do que o da verificação das previsões feitas com base nelas.
Na passagem do testemunho entre 2 Comissões europeias - num dia em que crescem as notícias sobre como o novo presidente da Comissão traiu a solidariedade europeia durante os 18 anos em que foi Primeiro Ministro do Luxemburgo! - lembro-me deste artigo que escrevi para o antigo O Primeiro de Janeiro, publicado a 31/12/2007 sobre a iminente assinatura do Tratado de Lisboa... sobre perspetivas para novembro de 2014...)


«Quando daqui a dias os representantes dos povos europeus encetarem a ratificação doTratado de Lisboa(in: http://edicao.portaldocidadao.pt), estarão encetando mais um capítulo da história do projecto de unificação política da Europa iniciado no séc. XIV. Interpretarei aqui essa história na base da definição de “política” – âmbito da procurada unidade europeia – como o jogo de determinação de uma comunidade, travado entre agentes …

A técnica e o sítio que foi feito para se pôr uma ponte entre ela e a ciência

No dia 5 deste mês passam 40 anos sobre a inauguração de uma das mais relevantes obras de arte de Edgar Cardoso: a ponte Nobre de Carvalho, que liga Macau peninsular e a ilha de Taipa. Ainda que, para o meu gosto, não chegue ao nível dessa escultura sobre o Douro que é a ponte de S. João, o uso aqui de “obra de arte” ultrapassa o sentido estrito que julgo dar-se-lhe em engenharia civil (uma obra única). Exemplificando quão a técnica é outra coisa que não mera ciência aplicada.

Da criatividade a jusante...

Assim a apresentação dessa ponte, no Heritage of Portuguese Influence Portal, começa e termina não pelas teorias que expliquem a sua estabilidade, ou por números relativos ao tamanho do vão, à quantidade de aço utilizado… mas, neste caso, pela dimensão simbólica (por onde também começa este belíssimo vídeo da Ordem dos Engenheiros, do qual infelizmente não encontro a versão completa).



No seio da polissemia que distingue as obras de arte dos meros utensílios, a ponte Nobre de Carvalho é …

Chover no molhado é bom para tempos de vacas gordas... mas agora urgem efetivos "agulheiros"

Faz hoje 1 ano que, na esteira de um livro ignorado desde 2012, meia dúzia de nós i) considerámos uma longa série económica portuguesa e outros indicadores para reconhecermos um crónico problema nacional; que ii) o equacionámos em conformidade à grande probabilidade de ter uma raiz subjacente às instituições e opções político-económicas; e que iii) balizámos a estratégia de implementação da sua resolução.
É natural que ao longo destes últimos anos, em outras salas igualmente ignoradas ao longo do país, outras meias dúzias de pessoas tenham reconhecido, equacionado, e projetado - quando não mesmo encetado - uma resolução do nosso problema coletivo.
Entretanto, a inteligentsia que na capital tem os meios para se fazer ouvir no país, ainda há 1 mês tomava como suficiente o passo (i)... Enquanto os indicadores abaixo parecem querer melhorar, é menos mau que assim se reconheça e alerte as pessoas para um nosso problema crónico, que limitará ou condicionará quaisquer pequenas recuperações pon…

Religião e ciência - Uma refutação da mui badalada prova da inexistência de qualquer Criador por R. Dawkins

Dawkins argumenta que i) o darwinismo é um esquema ajustado para se pensar o cosmos, e ii) nesta cosmovisão o postulado de um Criador... é uma "delusion".
- "uma crença persistente, mantida apesar da forte evidência em contrário, sobretudo como sintoma de um distúrbio psiquiátrico"... Acabei por ter de lhe devolver esta classificação na p. 26 deste artigo.

No diagrama geral que fiz (pelo que percebi...) da argumentação de Dawkins - em 21 premissas /conclusões intermédias + a conclusão (enunciado 22) - sublinhei os enunciados 7 e 12 cuja pressuposição, julgo, constitui o calcanhar deste célebre aquiles contemporâneo (i.e. do argumento, não do respetivo autor!)

"O volume nasce do nada..."

A propósito dos comentários a "La réalité n'existe pas", é este o antigo artigo que referi a Carlos Fernandes no comentário de 11/08.
A crítica que fiz à argumentação hegeliana desenvolve-se a partir do 2º parágrafo desta p. 445. Julgo que se ela ou outra crítica equivalente for válida, e se não se aceitar outra argumentação equivalente àquela mas livre destas objeções, então não se poderá estender à realidade material a afirmação matemática de que "o volume nasce do nada". E a questão passa a ser a de como as estruturas matemáticas têm sucesso na explicação da realidade material...

"La réalité n'existe pas"

Este é o provocante título do número de julho-agosto da revista de divulgação científica La Recherche (Nº 489), em função do seu Dossier “Qu’est-ce que le réel?”. Ou mais precisamente, e parafraseando a pergunta de Einstein no título do artigo de P. Ball (pp. 30-34): será que a cerveja que há pouco poisei ao meu lado, tão fresca e borbulhante depois do primeiro gole, aí continua enquanto tenho o olhar poisado nessa estimulante leitura de férias? A resposta do modelo standard da física, no artigo referido e alguns seguintes, é paradoxal. De um lado, pretende-se conceber a cerveja por redução sua a um pequeno menu de partículas e respetivas forças de interação. Mas, do outro lado, enquanto a montagem destas últimas no que chamamos “cerveja” bem parece manter-se entre dois goles, as suas partículas apenas ficam determinadas em cada observação – A parede mantém-se, mas não os seus tijolos!

Um universo platonista

O Dossier começa logo com uma resposta geral ao respetivo título, na entrevista …

Da arte dramática - Prefácio a As Cinco Batalhas de Coimbra (imagens do interior)

As Cinco Batalhas de Coimbra (apresentação)

Sinopse:
Durante o estertor da antiga ordem europeia, pelo enfraquecimento do Sacro Império Romano-Germânico e do papado, eclode em Portugal a guerra civil de 1321 a 1324. Na qual as forças comandadas por D. Dinis cercam Coimbra, na posse dos apoiantes do infante D. Afonso, cujo exército vem socorrer a cidade. Enquanto espera, o soberano confronta-se com as grandes escolhas que se abrem nessa guerra. E, ao decidir nelas, não só resolve a sua estratégia no conflito com o herdeiro do trono, como identifica o reino português, e o dispõe para uma nova era europeia, cuja alvorada irrompe assim no extremo ocidental deste continente. Nessa resolução resta porém uma falha que, no crepúsculo de tal modernidade, abrirá de novo o campo da batalha decisiva.


Um livro digital para leitores de textos dramáticos (teatro)... mas apenas se se interessarem por conflitos intelectuais,
e apenas se visarem raízes para além da informação que diariamente enche a comunicação social, e apenas se participarem em…

Por uma assunção da retórica na ciência

No início do mês passado ocorreu no Porto o II Congresso de Comunicação de Ciência – SciCom PT 2014 – cujo Livro de Resumosdá bem conta da enorme diversidade e fecundidade dos temas ali abordados, designadamente sobre a relação entre a referida comunicação e o desenvolvimento. Que esse Congresso quase tenha passado ao lado não só dos opinion makers nacionais, mas até dos simples noticiários, pese embora o reconhecimento comum quer do impacto das ciências e tecnologias na vida quotidiana, quer simetricamente do condicionamento social sobre a atividade tecnológica e científica, será mais um sinal da “dificuldade em conseguir chamar a atenção do público para conteúdos de ciência, num ambiente tão carregado de informação e entretenimento”. Aliás tenho a ideia de que foi precisamente nesses dias que a seleção pisou solo americano, encontrando-se cada câmara da televisão portuguesa, cada correspondente da nossa imprensa, dedicados a informar-nos sobre a ordem exata pela qual os jogadores saí…

A big science, o cientismo revisitado, e o primo do Harry Potter

Em mais uma das suas inestimáveis intervenções culturais e cívicas, a Fundação Francisco Manuel dos Santos não só convidou o Nobel de Fisiologia/Medicina Sir Paul Nurse a apresentar uma comunicação “about how science enhances our culture and our civilization...”, no passado dia 24 de janeiro, como ainda a disponibiliza online bem como a uma pequena entrevista ao também presidente da Royal Society[1].

A fé de Sir Paul

Começou o conferencista por afirmar (ou argumentar?…) que “science matters (…) improving the quality of our lives”, da saúde às comunicações, passando pelo aquecimento doméstico, a alimentação mundial, etc. Mas, continuou, “to be successful” a ciência tem que se comprometer plenamente com a sociedade, e que funcionar multi- e interdisciplinarmente. Além destas condições intrínsecas, o sucesso da investigação numas paragens (ex. Portugal) dependerá extrinsecamente do respetivo esforço de financiamento não ser substancialmente inferior ao esforço feito noutras localidades …

Um de "Dez livros ignorados"!

- Miguel Soares de Albergaria, Condições de atraso do povo português nos últimos dois séculos, Lisboa: Palimpsesto, 2012.
Um ensaio, muito bem fundamentado e arguido, sobre o famoso problema do atraso português, a “ferida” onde Quental pôs o dedo. Neste livro, duas causas sociológicas são apontadas para o declínio económico: a temporalidade tradicional e a desvalorização do realismo. Isto é, nem lidamos bem com o tempo, nem sabemos bem ver o real. continua

'Condições do Atraso do Povo Português' - entrevista a 'Açoriano Oriental'

Então não diremos que o império mongol se estendeu aos Açores?...

O Ciência Hoje deu a notícia há três anos. Mas, como não estive atento, só há cerca de dois meses soube da hipótese – imagino que os membros da Associação Portuguesa de Investigação Arqueológica (APIA) preferirão dizer da verosimilidade – das ilhas açorianas terem sido habitadas bem antes da chegada de Gonçalo Velho Cabral. Designadamente por povos mediterrânicos. Não resisti à tentação, e logo contribuí também para esse peditório (“científico”?), sugerindo que, equiparavelmente verosímil, será que o império mongol “aqui veio fechar a tenaz com que Genghis Khan, como grande estratega militar que todos sabemos ter sido, terá planeado fechar os povos europeus e árabes que a norte e a sul do Mediterrâneo fugiam ao avanço mongol” – concretamente, montando vigia no piquinho do alto da montanha na ilha do Pico. E por um breve período julguei-me arqueólogo… isto é, já me via de chapéu de abas largas, casaco de couro e chicote na mão!

Indiana Jones...

A perturbar-me o devaneio, veio agora porém…