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Mensagens

A mostrar mensagens de Junho, 2014

A big science, o cientismo revisitado, e o primo do Harry Potter

Em mais uma das suas inestimáveis intervenções culturais e cívicas, a Fundação Francisco Manuel dos Santos não só convidou o Nobel de Fisiologia/Medicina Sir Paul Nurse a apresentar uma comunicação “about how science enhances our culture and our civilization...”, no passado dia 24 de janeiro, como ainda a disponibiliza online bem como a uma pequena entrevista ao também presidente da Royal Society[1].

A fé de Sir Paul

Começou o conferencista por afirmar (ou argumentar?…) que “science matters (…) improving the quality of our lives”, da saúde às comunicações, passando pelo aquecimento doméstico, a alimentação mundial, etc. Mas, continuou, “to be successful” a ciência tem que se comprometer plenamente com a sociedade, e que funcionar multi- e interdisciplinarmente. Além destas condições intrínsecas, o sucesso da investigação numas paragens (ex. Portugal) dependerá extrinsecamente do respetivo esforço de financiamento não ser substancialmente inferior ao esforço feito noutras localidades …

Um de "Dez livros ignorados"!

- Miguel Soares de Albergaria, Condições de atraso do povo português nos últimos dois séculos, Lisboa: Palimpsesto, 2012.
Um ensaio, muito bem fundamentado e arguido, sobre o famoso problema do atraso português, a “ferida” onde Quental pôs o dedo. Neste livro, duas causas sociológicas são apontadas para o declínio económico: a temporalidade tradicional e a desvalorização do realismo. Isto é, nem lidamos bem com o tempo, nem sabemos bem ver o real. continua

'Condições do Atraso do Povo Português' - entrevista a 'Açoriano Oriental'

Então não diremos que o império mongol se estendeu aos Açores?...

O Ciência Hoje deu a notícia há três anos. Mas, como não estive atento, só há cerca de dois meses soube da hipótese – imagino que os membros da Associação Portuguesa de Investigação Arqueológica (APIA) preferirão dizer da verosimilidade – das ilhas açorianas terem sido habitadas bem antes da chegada de Gonçalo Velho Cabral. Designadamente por povos mediterrânicos. Não resisti à tentação, e logo contribuí também para esse peditório (“científico”?), sugerindo que, equiparavelmente verosímil, será que o império mongol “aqui veio fechar a tenaz com que Genghis Khan, como grande estratega militar que todos sabemos ter sido, terá planeado fechar os povos europeus e árabes que a norte e a sul do Mediterrâneo fugiam ao avanço mongol” – concretamente, montando vigia no piquinho do alto da montanha na ilha do Pico. E por um breve período julguei-me arqueólogo… isto é, já me via de chapéu de abas largas, casaco de couro e chicote na mão!

Indiana Jones...

A perturbar-me o devaneio, veio agora porém…

A burocracia e as TIC (esta dádiva de algum deus suspeito!)

Em período de entrega das declarações do IRS pela internet… lembro-me da esperança, que terá sido bastante comum, de que a substituição das máquinas de escrever que quase não permitiam correções dos textos, dos grandes ficheiros de madeira ou metal, das resmas de papel, dos estafetas e correios, etc., pelas tecnologias de informação e comunicação (TIC) digitalizadas, viesse, automaticamente, reduzir toda a sorte de papelada que não parece ter outra serventia além de impor uma autoridade que de outra forma se reduziria a uma dúzia de funções colaterais; que viesse aliviar a estrutura hierárquica, técnica e logística de boa parte daqueles postos que servirão especialmente bem os afilhados; que viesse agilizar e otimizar a tomada de decisão nas organizações. Para as quais, assim, os mais otimistas chegaram a propor a classificação de “infocráticas”, no lugar das organizações “burocráticas” da II Revolução Industrial.

Infocráticos... e bosquímanos

Foi também mais ou menos por essa altura …

Perspetivando os próximos invernos - interrogações como que na ponte de um superpetroleiro

Com a chegada da primavera, depois do que os telejornais mostraram neste inverno sobre a vulnerabilidade da orla marítima portuguesa às alterações da agitação e nível do mar, além de tantos outros alarmes climáticos, convirá recordarmos uma conhecida comparação feita a quaisquer respostas a tais alterações: são como a reorientação de um grande navio em alto mar, têm de se preparar com antecedência, só sendo eficazes se se considerar todo um complexo de fatores. E seremos muitos, quase todos, os ocupantes quer da casa das máquinas, quer mesmo da ponte deste navio. Visto que, para que o superpetroleiro que assim habitamos ajuste a rota, não bastará que uns poucos detenham um conhecimento funcional sobre o clima, sobre a adequação socioeconómica local às consequências da sua alteração, e sobre as condições globais da respetiva retificação.

As condições de eficácia... e 2 conjuntos de perguntas

Com efeito, logo para a tomada de decisão em ações que se querem eficazes, Cecilia Hidalgo e Cla…