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Mensagens

A mostrar mensagens de Julho, 2015

"Começando a pirâmide pelo vértice" (Em Demanda da Europa)

«Uma boa metáfora para a unidade de diversos países é a pirâmide, na base da qual o vértice representa o pólo aglutinador, enquanto os pontos da base representam os elementos da união. Perguntando-se então pelo modo de construção dessa "pirâmide", talvez a resposta mais natural seja a de que se comece pelo vértice, de forma a impô-lo depois às diversas partes.
Foi esse o modelo geral na Idade Moderna.
É certo que já no nosso tempo houve uma tentativa análoga: a do III Reich. No entanto o nazismo opôs-se à civilização ocidental, invocando antes raízes da cultura germânica anteriores ao helenismo e à cristandade - como bem se percebe na redução da pessoa à raça, ou na obediência cega a um Führer. De forma que o III Reich pode ser considerado anacrónico, não sendo típico de qualquer época da nossa história. E de qualquer modo o seu sucesso foi o conhecido.
Na Modernidade ocidental a "primazia do vértice" teve o seu primeiro momento político no séc. XVI, com o império …

Inter- e transdisciplinaridades - Sim, mas...

No Número anterior desta revista assumi (ingenuamente) de dois conceituados autores o elogio do diálogo entre ciências e tecnologias, e entre elas e as demais áreas da vida social. Nesse texto também lembrei, a outro propósito, o adágio o diabo está nos detalhes. Ocorre-me agora, porém, que será prudente aplicar este último igualmente àquele elogio, ou melhor, ao modo, e aos limites, da sua aplicação. Para nos acautelarmos, de um lado, com aculturações como a que há quase duas décadas deu azo a um dos episódios não só mais divertido, mas também mais significativo da história do pensamento contemporâneo: o caso Sokal.

Da parolice nas ciências sociais e nas humanidades...

Tem o nome do físico norte-americano que, em 1996, submeteu à revista Social Text o artigo “Transgredindo as fronteiras: em direção a uma hermenêutica transformativa da gravitação quântica”. O gongorismo do título não foi acidental, ou muito menos fruto de presunção intelectual. Ao contrário, visava apresentar logo à part…

Um Nobel de medicina que nem medicina sabe

A talho de foice das declarações de Sir Tim Hunt no mês passado – sobre um desejável apartheid de género nos laboratórios, para se corrigir a “dirupção científica” causada pelas paixões entre homens e mulheres, mais os choros delas, diz ele, quando ouvem críticas – julgo vir a lapidar frase de Abel Salazar: “o médico que só sabe medicina nem medicina sabe”. Uma vez porém que o Nobel e o grau de Cavaleiro lhe foram atribuídos não por uma sua inovação no tratamento de algumas doenças, mas pelos resultados da sua investigação no âmbito da fisiologia, deveremos ajustar o juízo numa paráfrase. Como talvez esta: o investigador que do processo só sabe os resultados nem os resultados sabe.

Em defesa de Sir Tim

Confesso que sinto por Sir Tim a simpatia por quem rompe com a ditadura do social e culturalmente correto. Mas a tentativa (!) de objetividade obriga-me a nem por isso deixar de julgar que errou. Por defeito, não por excesso. E no sentido da resposta a dar ao problema, não no reconheciment…