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A mostrar mensagens de Outubro, 2016

Nobel 2016: uma janela sobre a ciência e a Natureza modernas

Também poderíamos tomar o recente prémio Nobel que distinguiu o isolamento de um estado da Natureza que… não é natural (o plasma), e as expetativas computacionais (quânticas) que isso faculta. Ou até outro destes últimos Nobel que promete avanços nos combates ao cancro, alzheimer… na base de estudos apenas sobre fungos (leveduras). Mas, para reentreabrirmos a janela sobre caraterísticas das ciências modernas que entreabrimos aqui em junho passado na efeméride secular de um artigo de Einstein, tomemos apenas o prémio Nobel de química 2016. Para o que aos leigos como eu convém começar por recordar o 3º ciclo do ensino básico: chama-se “molécula” ao elemento mais pequeno da matéria que ainda apresente as propriedades que distinguem cada substância (água, hélio…). Em regra esta identidade qualitativa, ou os comportamentos próprios da substância, depende, de um lado, dos tipos de átomos que compõem a molécula (chama-se “átomo” à unidade mais pequena que se encontra espontaneamente na Nature…

Filosofia (metafísica) vs. história vs. entretenimento (...vs. parasitismo)

O que é a filosofia?
Uma disciplina autónoma? Um mero entretenimento? Ou - entre essas duas possibilidades - um dos momentos (não autónomos) de qualquer processo que produz (assim sem a inconsequencialidade lúdica) conhecimento?
Particularmente em relação à metafísica, J. Wilson argumenta a favor desta 3ª hipótese. Fiz aproximadamente o mesmo uns anos antes em relação à filosofia em geral (mas reportando-me particularmente a questões metafísicas).
Daí no entanto decorrerá que o leigo têm razão em relação a grande parte do que tem recebido o rótulo "filosofia"...

"... it is possible to identify, in contemporary metaphysical practice and theorising, certain operative conceptions of metaphysics that are individual enough to allow for a reasonable assessment of whether they have the resources for defending metaphysics as a non-redundant and intelligible discipline. Here I'll focus on two, or maybe two-and-a-half.
The first approach is what I call the 'hands-off'…

Rufina - recensão

10 DE OUTUBRO DE 2016
Rufina, Dona Rufina de Melo Tavares Rufina é uma bela e contagiante história de tantas e tantas mulheres destas ilhas repletas de partidas e regressos, muitíssimo bem contada e adjetivada pelo Miguel Soares de Albergaria. Como o próprio diz, entre a realidade e a ficção, Rufina, chegada à ilha aos 25 anos de idade vai contando a história e caracterizando a sociedade micaelense que encontrou num espaço temporal  de meio século na transição de XIX para XX. Francisco Luís Tavares, politico, advogado, Juiz, pensador é o personagem principal deste romance que começa com uma sua carta dirigida à mãe pedindo-lhe ajuizados conselhos na questão da greve académica de 1907 e termina com a avisada resposta dessa mulher “que soube construir uma vida como a sua”.
Rufina, Srª D. Rufina de Mel(l)o Tavares, sobrevivente de uma de tantas casas de desvalidos, uma dessas grandes “latrina onde a sociedade escondia as sobras” é um hino à perseverança, uma apologia do trabalho, uma ode …

Notas literárias - narrativa, referência, interpretação

1. "...como obra de ficção que é, em Rufina não se encontram justificações dessa ou de qualquer outra tese geral. O que, diretamente, aí se encontra é a narrativa desde o dilema do filho, à recordação da chegada a S. Miguel em noite de tempestade, com desembarque por isso na pequena baía de Capelas a 8 de dezembro de 1880, do hospício em Olinda, do percurso dessa família após a bancarrota portuguesa de 1892…
Através dessas descrições descobre-se o mundo em que estas são relevantes. Isto é, o conjunto articulado de quaisquer escolhas, emoções, atos, laços sociais, acontecimentos… que melhor se poderá relacionar aos que ali são narrados, e do qual, portanto, esta obra será representativa. Os mundos literários são, julgo, a referência última das narrativas, mesmo que de ficções históricas como esta. Mas é a cada leitor que cabe, além de reunir os sucessivos passos da narrativa numa mesma história, descobrir, ou projetar imaginativamente um mundo da obra. Para, enfim, se dispor o leit…

Rufina - Errata

p. Onde escrevi: Deveria ter escrito: 26 – José Manoel, não vamos deixar – Manoel José, não vamos deixar 113 Atrás erguia-se o pequeno pico Salomão entre outros parecidos, passara-lhe ao lado na noite Distinguiu, para trás, o pequeno pico ao lado do qual passara na noite 114 Rufina olhou para o topo da igreja construída no local onde antigamente se tinha erguido uma outra, na qual, em dia de Sta. Teresa, o antigo jesuíta que também viera de Olinda lembrara que Rufina olhou para o topo da igreja que ainda estava em acabamento quando, em dia de Sta. Teresa, o antigo jesuíta que também viera de Olinda ali lembrou que

O tripé íntimo de Maria Rufina (segundo este leitor)