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A mostrar mensagens de Março, 2017

A ideologia portuguesa e a regra modus tollens

Avaliemos, logicamente, o discurso ideológico português ao longo das últimas três décadas. Nomeadamente aplicando a regra referida no título. A qual, uma vez que saibamos que uma proposição (chamemos-lhe P) implica uma outra (Q) – em linguagem lógica: se P então Q – e que essa última é falsa (não-Q), nos permite deduzir que também a primeira proposição será falsa (não-P). 1.1.O §14 da Declaração de Princípios da Internacional Socialista estabelece que os membros desta associação ideológica se comprometem a garantir “a igualdade de direitos e oportunidades”. Na linguagem rigorosa do cálculo de predicados, dir-se-á (simplificadamente) que qualquer coisa que seja um país, se for social-democrata (P), então tende a ser igualitário (Q). Pois bem, os gráficos 37.2 e 37.3 de A. Mateus (coord.), 25 Anos de Portugal Europeu (disponível em PDF), revelam que persistimos como um dos países mais desiguais (não-Q) dos 27 países da UE. Logo, entre estes nossos pares, Portugal tem-se mantido como não …

Para uma identificação ideológica

Neste diagrama que simplesmente respeita as hierarquias de valores que constituem cada ideologia (não lhes impondo dimensões externas a tais valores, como esq./dta.), as posições assinaladas no Political Compass (fig. à esquerda) e no diagrama de Nolan (fig. dta.) ficam na esfera azul (liberal).
Nestes outros, que haja alguma discrepância entre as resultantes dos 2 inquéritos respondidos no mesmo dia e com a mesma atenção (talvez não a maior!), ainda será o menos significativo - afinal estas identificações dependem das perguntas que os autores julgam serem politicamente significativas, das ponderações que lhes dão... estão pois carregadas da subjetividade desses autores. Pior me parecem ser ambiguidades das dimensões externas aqui introduzidas:
No PC, o que distingue a dimensão horizontal? Posições relativas à economia, ou aos costumes, ou ainda a modelos de vida ambientalistas, etc.? Mas estas posições podem ser reunidas em complexos (valor x sobre a propriedade privada, sobre o casa…

"A democracia e a nação" portuguesa - em 2017 a lição de 1933

Então literalmente em paralelo (!) ao movimento salazarista, eis uma quase centenária argumentação a favor da democracia liberal.


Explicitando o sentido dessa democracia, e apontando momentos da história portuguesa que possam ser assumidos como recursos para o exercício e preservação daquele regime... Num ano em que, sabemo-lo hoje, o movimento paralelo seria já imparável.
Nesse 2 de janeiro já não importou que a conferência fosse aplaudida por 200 pessoas para as quais faltaram cadeiras, diz outro jornal, bem como que nos dias a seguir ela fosse comentada pela cidade, que dentro e fora do arquipélago diversos jornais a referissem... Em 1933 o rumo estava traçado. Em Portugal e na Europa.
Em 2017, um rumo equivalente ficará traçado se os populismos vingarem. Pois, dada a normal frustração a médio prazo das promessas populistas, quem as promove só mantém o poder se evoluir para regimes autoritários.
É pois logo no ovo populista que a serpente autoritária deve ser enfrentada. Esclarecen…

Incineradora, participação pública, e hipótese de uma "conferência de consenso"

No último meio século, os estudos sobre tudo o que intervém no desenvolvimento e implementação das tecnologias derrubaram a anterior crença ingénua de que estas seriam decididas por razões estritamente técnicas. De modo que a definição clássica de tecnologia – como mera aplicação de conhecimentos científicos, que por sua vez seriam neutros a fatores sociais, económicos… – foi substituída por definições mais complexas e abrangentes, como a que tentei exemplificar nestas páginas em “A tecnologia e a ciência – um caso açoriano” (e noutro textoali referido sobre o eng. Edgar Cardoso). Voltaremos aqui a estas denúncias. Das quais entretanto, se se opta por um regime democrático, decorre a exigência de participação pública nas decisões de implementação de certas tecnologias. Muito bem exemplificada pelo processo em curso nesta ilha sobre a construção de uma central de incineração de resíduos sólidos urbanos. Como Luís Anselmo bem apontou neste jornal em “Sinais da sociedade civil!” (15/03/20…

Afonso Chaves, de postais seus... à sua pessoa

Além das fotografias incluídas aqui (nenhuma publicada no C.A. por opção do jornal), no espólio familiar do eng. Luís G. Brandão encontra-se uma coleção de postais enviados pelo cor. Afonso Chaves à sobrinha Laura Cogumbreiro Ivens, assim como os enviava à irmã desta e à neta dele, estimulando as suas curiosidades e conhecimentos desde estilos arquitetónicos a espécies de frutos, de Marrocos ao norte da Europa.
Esta amostra da coleção sugere a pessoa humorada, afetuosa, interessada e crítica, que o naturalista açoriano terá sido: