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Mensagens

A mostrar mensagens de Maio, 2017

“Facista”, “Comuna”, “Neoliberal”!

Quando eu era novo, nesta ilha, se por exemplo um indivíduo estacionasse o carro à frente da garagem de outro, e este lhe dissesse para o tirar pois precisava de se servir dessa entrada, um dos impropérios que se poderia ouvir do infrator era “A rua é de todos… facista!”. O mesmo “facismo” que levava esse dono da casa a queixar-se de lhe terem garatujado umas palavras na parede que recentemente pintara de branco, ou o vendedor de gravatas a não baixar os preços enquanto houvesse quem os pagasse, o professor a não aceitar resoluções de equações do 3º grau mediante a fórmula do 2º grau… Os cientistas políticos não convergem numa definição exata de “fascismo”. Em todo o caso, associam-lhe traços como antirracionalismo; defesa da luta pela qual sobrevivem os mais fortes; elitismo destes sob a orientação de um líder autoritário que corporiza a nação; afinidade pelas políticas socialistas relativas às baixas classes socioeconómicas, e ao intervencionismo económico do governo. O leitor concor…

'Rufina' - entrevista a 'Novos Livros'

Miguel Soares de Albergaria | Rufina 1- O que representa, no contexto da sua obra, o livro Rufina? R- Reforça a concepção do ser humano como pessoa – isto é, como um ser que se constrói mediante as suas escolhas – não como absolutamente determinado por um factor inato e/ou outros adquiridos. Mas num processo que apenas se cumpre se respeitar um sentido (não subjectivo) da vida humana: o da dedicação de cada uma destas a alguma(s) obra(s) consistente(s) que ultrapasse(m) essa vida que se lhes vota. Teorias da relatividade, Capela Sistina, chefia do governo britânico durante a II G.M.... No caso da mulher real que foi M. Rufina Melo Tavares, na sua terrível circunstância familiar e económica, a obra foi a criação e educação do filho para que este viesse a constituir-se num homem autónomo e igualmente construtivo ou generoso. Este livro representa assim também um reconhecimento da extraordinariedade de todas essas pessoas anónimas que, sem qualquer expectativa de recompensa ou sequer cons…

“A comunidade científica em tempos de disputa”

Vacinação ou não das crianças, e construção ou não de uma incineradora em S. Miguel – A comparação entre estas atuais disputas sócio-tecno-científicas desde logo nos faculta assinalar os (já!) 20 anos daquela que talvez seja a mais importante ação de promoção da cultura científica até hoje ocorrida em Portugal. Que mais não fosse por isto, valeria a pena abordar aqui aquelas disputas. Refiro-me ao ciclo de conferências “A ciência tal qual se faz”, que decorreu entre outubro de 1996 e janeiro de 1998 na Fundação Calouste Gulbenkian, em mais uma iniciativa do ministro José Mariano Gago, sob coordenação do filósofo Fernando Gil. E, concretamente, à comunicação que o sociólogo da ciência Harry M. Collins ali apresentou, sob o título que importei para esta crónica. Mas aquela comparação, além de comemorar a efeméride, creio que nos sugerirá ainda um desenvolvimento do esquema de Collins. O qual – pelo menos até 2010 – bem se aplicou à disputa entre os defensores e os oponentes da vacinação in…

"Limites entre o Estado e o indivíduo"

"Neste meu primeiro artigo desta Coluna Liberal que escreverei a quatro mãos com o meu amigo Miguel Soares de Albergaria, tentarei de uma forma breve e clara explicar ao que vimos, porque vimos e como vimos. Na verdade, a ideia desta coluna escrita a dois nasceu do Miguel e tem como objetivo clarificar e formar os leitores mais desatentos para as vantagens de uma sociedade liberal. Com recurso a exemplos e ao conhecimento filosófico tentarei, como melhor souber e possa, esclarecer os leitores acerca dessas vantagens e se o não conseguir espero que, pelo menos nos espíritos mais críticos, fiquem lançadas sementes de curiosidade."



continua: Nuno B. Almeida e Sousa, "Limites entre o Estado e o indivíduo", Coluna Liberal in Diário dos Açores, 12/05/2017

Movimento perfeito

A tensão que se resolve, sem nunca se diluir, A harmonia que dura, apesar de sem regra nem repetição

Cª Luis Bravo, "Forever Tango" (Coliseu do Porto, 9/5/2017)

Inovação, crescimento, e sociedade açoriana

As teorias do crescimento económico, depois de lhe reconhecerem como fatores o trabalho e o capital, também reconheceram como tais, de um lado, as inovações tecnocientíficas (R. Solow…), de gestão… e do outro, as instituições (ex. patentes, direitos de autor) que devem ser elas próprias inovadas de forma a promoverem e protegerem aquela outra inovação em geral (D. North…). No contexto açoriano, este jornal – por cujo aniversário hoje estamos todos (mas primeiro os seus responsáveis e profissionais) de parabéns! – diversas vezes me abriu as suas páginas para abordar inovações tecnológicas, até científicas, e eventualmente institucionais, algumas das quais relevantíssimas para a economia e a sociedade desta ilha, e do arquipélago, outras que poderão ter tido aqui, ou talvez possam a vir ter, algum impacto positivo. Foi o caso de “A modernização da indústria de laticínios em S. Miguel – 1937-1946” – se não me falha a memória, precisamente neste suplemento pelo aniversário de há dois anos (…