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Mensagens

A mostrar mensagens de Junho, 2017

Açores a caminho do resgate financeiro?

Graças ao Dr. Ricardo Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Vila Franca, aqueles de nós que não estamos por dentro dos meandros político-económicos regionais ficamos a saber que o Relatório e Contas da Musami, de 2016, alerta para que “a permanente política de limite financeiro [na região autónoma dos Açores] está a conduzir as contas da região para uma situação de resgate, com uma dívida sempre crescente e com muitos mecanismos de endividamento ativos, através de empresas deficitárias e organismos com autonomia financeira totalmente dependentes do orçamento regional” (p. 25). Em boa hora o conhecido político nos chamou a atenção para isto. Já se a forma como o fez foi igualmente boa – leia-se “democrática” – ao ter promovido um inquérito a quem terá tido a responsabilidade – preferirá o Sr. presidente o termo “desplante”?… – de um tal diagnóstico económico, deixaremos aqui para outra oportunidade. Falando por mim, nem sabia que dispomos online de tais avaliações da nossa conjunt…

“Pessoa” – entre fervura e água fria

Numa pequena entrevista em maio à revista literária digital Novos Livros, voltei a assumir o meu compromisso com “a concepção do ser humano como pessoa – isto é, como um ser que se constrói mediante as suas escolhas – não como absolutamente determinado por um fator inato e/ou outros adquiridos.” De regresso a este âmbito da integração sociocultural das ciências, porém, logo me vejo obrigado a deitar, naquela fervura literária, alguma água fria das neurociências.
A redução da mente ao cérebro
Com efeito, intimamente experimentamo-nos como livres. Por exemplo, eu experimento esta minha escrita destas palavras como resultado de uma minha decisão livre de as escrever; o leitor experimenta a sua leitura delas como resultado da sua decisão livre de ter começado a lê-las e ainda continuar, etc. Entretanto, há muito se tornou um lugar-comum que tais experiências mentais não ocorrem fora dos cérebros de cada um. E é aqui que começam os problemas – como logo reconheceu o grande filósofo e grande m…

'Condições do Atraso do Povo Português' - entrevista a 'Novos Livros'

1- De que trata este seu livro Condições do Atraso do Povo Português nos Últimos Dois Séculos? R- Primeiro, e como infelizmente não é difícil, reconhece um crónico atraso sócio-económico de Portugal (pelo menos) desde o advento da economia industrializada, da urbanização da sociedade… por comparação aos nossos pares europeus. Segundo, equaciona esse problema radicalmente na nossa cultura, como base do estabelecimento e implementação das instituições sociais, políticas e económicas com as quais nos temos organizado. Terceiro, refuta empírica e logicamente o diagnóstico de Antero de Quental, uma vez deslocado dos séc. XVI-XIX para desde este último até à década passada (ou mesmo no período considerado pelo meu ilustre conterrâneo) – que as “causas” (“da decadência dos povos peninsulares”) seriam o catolicismo de Trento, um consequente autoritarismo político, e enfim uma cultura económica orientada para a conquista e não para a indústria e comércio. Quarto, para propor então uma hipótese …